sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lógicas sem lógicas


“Olho para o relógio digital no painel do carro. E, vagamente, meu olhar encontra o outro lado da esquina. Diretamente e instantaneamente, ele localiza um rosto conhecido no meio de todos os outros rostos conhecidos. Mas não consigo olhar fixamente, e em milésimos de segundos, meu olhar se desvia para outro ponto qualquer. De repente, estou olhando para as minhas mãos, brincando com as minhas unhas. Meu pai fala algo no qual eu nem presto atenção, mas respondo ausentemente e sorrindo. Então eu me pergunto: o que foi isto que acabou de acontecer ? Porque eu sorri ? Não existe sentido. Já faz muito, mas muito tempo. Tento olhar novamente, e concluo mais uma vez o que eu já sabia: agora aquele é só mais um rosto conhecido – ou nem isso mais – no meio de tantos outros, naquela rodinha de esquina.”

Sobre o texto: Foi um acontecimento real do dia 08/09/09, minutos antes das sete horas da manhã, lá na esquina da escola.

Explicação lógica para o texto: Esse sentimento foi um ato involuntário de uma mente distraída e com sono, foi apenas um rápido momento de lembranças que vieram à tona, e antes mesmo de saírem, voltaram pro lugar de onde vieram, um lugar bem profundo, lá na memória.

Essa foi a única explicação lógica que eu encontrei, lá nos meus dicionários interiores. Mas quem sou eu para inventar lógicas de coisas sem lógicas...
pss
PS 1: não me pergunte quem era a pessoa do rosto conhecido, eu não vou responder.
PS 2: o 'rosto conhecido' certamente nunca vai ler isto. Se ler, nunca vai imaginar que era ele.

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