quinta-feira, 10 de junho de 2010

- Frio insensível


O frio lá fora faz com que meus dentes ranjam e minha pele está gelada, nada consegue aquecê-la, é como se o sangue que percorre meu corpo não circulasse mais sob minha pele.
E foi com esse pensamento e a sensação de frio que percebi tal coisa: o frio congelou meu coração. Não literalmente, é claro, porque se fosse não estaria viva, e o frio não é tanto assim. Mas o frio que agora veio anestesia meus sentimentos sobre você, já não consigo explicar a mim mesma o que sinto e ficar só a te olhar não tem mais o mesmo efeito.
A verdade é que você e todas as tentativas de conquistar ao menos um olhar seu já se tornaram rotina para mim, e eu detesto rotinas. Queria tanto te roubar pra mim e agora parece que tudo o que eu sentia não faz sentido algum, como se uma neblina cobrisse tudo e não me deixasse ver.
Talvez estremecer pelo seu sorriso não faz mesmo sentido, e talvez nunca faça. Talvez você tenha sido algo passageiro, uma fase. Ou talvez, quando o frio passar e meu coração voltar a bombear sangue quente, todas as ilusões voltem a fazer sentido outra vez.

sábado, 5 de junho de 2010

- Quem sabe eu ainda sou uma garotinha


Ela era apenas uma garotinha de doze anos em busca de coisas novas, e ela se apaixonou. Como nunca tinha estado apaixonada antes, ela achava que tudo o que sentia era amor.
Pobre garota.
Tamanha euforia e desespero de supostamente ter encontrado o amor, levou-a a mandar cartas de amor, usar milhões de frases feitas e sonhar com todas as forças de que todo aquele sentimento seria retribuído pelo seu “amado”.
Foi uma primeira paixão e uma primeira decepção.
Então ela descobriu da maneira mais difícil, que as coisas nunca seriam perfeitas como ela acreditava que seriam. Nada seria como nos contos de fadas que ela cresceu lendo ou como nos filmes, essa era a vida real.
E depois de uma queda de auto-estima, vários choros encubados e músicas para dias ruins, ela aprendeu que o que ela havia sentido nunca tinha sido amor e que continuava sem saber o que isso era.
Hoje, alguns anos e algumas paixões depois, a garota que acreditava nos contos de fadas não se parece mais a mesma. Ela está mais consciente e mais resistente, isso o tempo se encarregou de fazer. Não se pode dizer que não há mais sonhos dentro dela – porque ainda há muitos -, mas agora eles se parecem mais reais, concretos e objetivos. Sonhos, para ela, é tudo aquilo que não envolve a perfeição. Sonhos envolvem alvos para se alcançar durante a busca incansável pela felicidade.
E sobre o amor, ela ainda sabe muito pouco, quase nada. Talvez o que ela continue sabendo e ainda tenha certeza, é apenas tudo o que ela sempre vê nos filmes.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

-Contemplar você!


Sei que você acha que sou uma louca descontrolada, que tenho humores inconstantes e que não tenho nada demais; só não ache que me conhece, porque você não conhece. Você só sabe o meu nome e o que aparento ser, embora tudo o que eu demonstro é uma parte do que eu realmente sou, mas são apenas partes e não um todo completo.
O que você não sabe e não nota é que eu poderia gastar todo o meu tempo só a te observar, olhar cada movimento e cada expressão sua, e quem sabe até poderia fazer o tempo parar nesses momentos, tirar o mundo a nossa volta para que reste nós dois.
Pensando melhor, acho que seria idiotice parar tudo por esse meu capricho, e se eu for racionalizar e pensar como deveria, não faz o menor sentido perder meu tempo a olhar pra você, até porque o tempo é muito precioso e você nem sabe quem eu sou de verdade.
Mas me disseram uma vez que quando se trata do coração, não há maneiras de ser racional. Ou a gente pensa, ou a gente sente. E quando eu escolhi sentir, só consegui ouvir o coração, embora eu não tenha a mínima ideia se ele está certo ou se só está tentando confundir a minha mente que tenta pensar.
Então, não me deixe perder tempo à toa, diga que aceita conhecer aquela “eu” da qual você só viu algumas partes. Porque eu quero conhecer você muito mais do que só aquilo que eu paro o mundo pra ver.