quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pai, ela cresceu


É pai, você sabe que a sua filha cresceu. A garotinha sentada no quintal ouvindo música e perdida nas estrelas, você sabe que ela não está pensando mesmo nas estrelas ou tentando encontrar o cruzeiro do sul no céu, ela está pensando em alguém que você não conhece e que ela morre de medo que você descubra. Se talvez você não tivesse dito a ela desde criança que não ela não podia trazer garotos pra casa e que nenhum deles prestavam, você poderia conhecê-lo.
É pai, você sempre soube que um dia isso iria acontecer, e aposto que morre de medo de ver sua pequena nos braços de qualquer um. Mas ela tem juízo e não sai por aí ficando com vários garotos que ela nem sabe o nome, ou dançando funk e se esfregando em todos da festa. Ela tem muita consciência e, se eu fosse você, não me preocuparia.
É pai, você percebeu que ela está diferente, calada, chata e com um estranho brilho nos olhos. Você acha que devem ser os sintomas da TPM ou então que é só uma fase que logo passa. Mas você não sabe que ela está apaixonada, e que isso pode deixá-la mais inconstante do que nunca.
É pai, sua filhinha frágil cresceu. Embora ela ainda seja frágil, não é o seu abraço que irá confortá-la. A menos que o garoto em quem ela pensa enquanto olha as estrelas quebre seu coração, e tudo o que ela ouviu você dizer sobre os garotos não serem bons, se confirmará.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dentro da caixa


Ela mora numa pequena caixa, e lá está tudo em que ela acredita. Tudo o que ela vive é colocado para dentro do mundinho da caixa. A garota nunca ousa sair de lá, pois ela sabe muito bem o que acontece fora da sua caixa, e sabe que se sair de lá, poderá nunca mais ser a mesma. Não que isso seja uma má ideia, mas ela foi ensinada a não correr riscos.
Há coisas dentro da caixa que ela ainda não mostrou a ninguém, coisas que foram guardadas tão profundamente que acabaram se perdendo. A garota tem certos sentimentos que só são próprios dela. Ela sente saudades que não lhe pertencem, tem momentos de súbita incomunicação, felicidades banais, tédios grandiosos, aproveita a sua própria companhia para organizar suas ideias (embora normalmente não funcione), coordena cenas que só acontecem em sua pequena mente e faz o possível para que as coisas dentro da sua caixa entrem em sintonia (embora elas sempre continuem sem o menor sentido).
As pessoas que não tem permissão para entrar na caixa a chamam de sonhadora, avoada e alguns até ousam chamá-la de louca. Mas a garota não se importa, pois já lhe contaram o magnífico segredo: as melhores pessoas são exatamente assim.

* Inspirado no filme Alice no País das Maravilhas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Eu me encontrei.


Cada pessoa tem uma impressão formada sobre mim, mas não posso afirmar qual delas é a correta. Posso ser mil coisas diferentes agora e no próximo minuto ser absolutamente nada. Podem tentar me definir, mas é certo que sempre faltará algo. Ninguém nunca estará completamente contente com o meu jeito e sempre tentarão me mudar e fazer com que eu seja como eles querem que eu seja. Eu sei que as vezes terei de mudar e que tudo fará parte de quem eu sou, mas aprendi que só devo mudar por mim mesma e que eu sou a única pessoa com quem eu preciso me preocupar em fazer totalmente feliz, já que convivo 24 horas por dia comigo.
Algumas coisas eu gostaria de mudar um pouco, como o fato de eu gostar de ser uma pessoa ouvinte e nunca conseguir falar tudo o que eu preciso. E há outras que me deixam muito feliz por terem sido mudadas para melhor. Conviver comigo pode ser um pouco difícil, e por mais que eu não consiga me definir, aprendi a gostar de mim. Não é egocentrismo e nem excesso de auto-estima. Eu sei dos meus defeitos, odeio que joguem eles na minha cara e pode-se dizer que desisti de tentar mudá-los. Ninguém pode tentar ser perfeito, nada consegue ser extremamente sem defeitos. Tudo tem sua lista de prós e contras, e eu não sou uma excessão.